AntÃdoto Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raÃzes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raÃzes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto. "Ãpio, desejo ou vontade? Inspiração tirada de uma semente formosa Subversão, através da fumaça, prevejo Movimentos eróticos de deuses menores em êxtase Por isso eu tomo opio, é um remédio. Sou um convalescente do momento. Moro no rés do chão do pensamento E ver passar a vida faz-me tédio"
O meu ser extingue-se,Por entre o nevoeiro deste lugarComo se fosse apenas o frioComo se fosse eu quem revela a escuridão.Nada me parece diferenteTudo permanece,Á medida que envelheceO rosto cansado de quem me assiste. por Ayra 0 Comentarios â â
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